A DIETA DAS CORES
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A Dieta das Cores
5 ou Mais Vegetais ao Dia
Marcus Vinícius Bolívar Malachias
Cardiologista, MD, PhD.
Instituto de Hipertensão, Belo Horizonte, MG, Brasil
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A cada dia surge uma dieta alimentar diferente. Uma para controle da hipertensão, outra para a prevenção do câncer, tantas para a obesidade etc. A dieta dos "Cinco ou Mais Vegetais" ("5 ou + vegetais") - adaptação brasileira da "5 a day" ou "5 or + a day" - reúne o melhor de cada orientação alimentar. Criada como uma forma unificada de prevenir e tratar afecções distintas - como os muitos tipos de câncer, as doenças cardiovasculares, o diabetes, a hipertensão, a obesidade e os distúrbios digestivos - a "5 ou + vegetais" é uma maneira descomplicada de ter uma alimentação saudável que vem sendo adotada como modelo por diversas instituições médicas internacionais, tais como a OMS (Organização Mundial de Saúde), o Instituto Nacional do Câncer (dos EUA).
Como funciona a dieta
A dieta se baseia no uso de pelo menos cinco porções de vegetais ao dia, divididos nas várias refeições. Para tanto, deve-se utilizar pelo menos 2 porções de frutas e pelo menos 3 porções de verduras, legumes, hortaliças e cereais. Uma maneira simples de aproveitar bem a riqueza deste tipo de orientação alimentar é se valer das cinco principais cores dos alimentos: verde, amarelo, vermelho, branco e verde. A cor marron é acessória podendo também se utilizada. Há comprovações de que ao se utilizar pelo menos cinco porções de vegetais ao dia, a dieta se torna rica na maioria dos nutrientes essenciais ao organismo, bem como em substâncias anti-oxidantes, fibras e suplementos saudáveis diversos que podem prevenir e tratar doenças. Além disso, o uso de “5 ou Mais Vegetais” ao dia faz com que comamos menos açúcares (carboidratos) simples, gordura saturada e colesterol, alimentos estes que associam-se mais ao aparecimento de doenças e obesidade. Um estudo recentemente publicado na importante revista médica européia “Lancet”, intitulado “InterHeart”, analisou vítimas de infarto em 52 diferentes países incluindo o Brasil e comprovou que, além dos principais fatores de risco que afetam o coração - como fumo, hipertensão, colesterol e diabetes – o baixo consumo de frutas e verduras aumentou em 3 vezes o risco de morte por esta doença. Outras pesquisas têm demonstrado que o baixo consumo de vegetais associa-se ao maior risco de câncer, acidentes vasculares cerebrais (derrames e tromboses), diabetes e obesidade.
Os prós e contras de cada dieta
O controle da obesidade tem sido o principal alvo das dietas da moda. Embora médicos e nutricionistas encarem a obesidade como um fator de risco para complicações cardiovasculares e metabólicas, é o fator estético, muitas vezes negligenciado pela ciência, o que mais preocupa a população e a faz buscar estratégias para a sua solução. Em um mundo em que a beleza e a forma física são cultuadas mais que qualquer outro padrão de saúde, vimos proliferar propostas aparentemente mágicas de emagrecimento como as ditas dietas milagrosas.
Cada vez mais os cardiologistas, preocupados com as conseqüências da obesidade, têm se dedicado à busca de soluções para o problema. Dean Ornish, lançou na década de 80 e início dos anos 90 o programa Lifestyle (Estilo de Vida), que preconizava uma dieta vegetariana, associada a yoga, meditação e exercícios. O conhecido cardiologista norte-americano, responsável pela dieta da Casa Branca na era Clint, demonstrou por meio de importantes publicações (Lancet,1990, 336:129-33; JAMA, 1995,274:894-901) que essas mudanças radicais no estilo de vida promoviam - além do controle do peso e dos demais fatores de risco - uma redução de mortes e doenças cardiovasculares de forma semelhante e até superior aos tratamentos agressivos como cirurgias de revascularização miocárdica (pontes de safenas e de mamárias). Tal dieta, contudo, é abandonada pela maioria das pessoas não adeptas do vegetarianismo.
Um outro cardiologista norte-americano que se tornou célebre ao buscar soluções para o excesso de peso foi Robert Atkins, que apesar de não ter sido propriamente o criador da dieta hiperprotéica foi quem a popularizou. Abominado por nutrólogos e estudiosos, teve, contudo, a coragem de propor alternativas à ditadura da pirâmide alimentar, aceita pela maioria, até então, como a única alternativa de uma regra alimentar saudável. Dois artigos, recentemente publicados, após a sua morte prematura por acidente (New England Journal of Medicine, 384:2082-90 e 2074-81), validaram tal proposta nutricional para a perda de peso ao demonstrar que, apesar da dificuldade da manutenção do padrão alimentar por longo prazo, a dieta hiperprotéica, hiperlipídica e com baixas concentrações de carboidratos foi semelhante ou superior à clássica orientação de alimentação do Departamento de Agricultura dos EUA (baseada na pirâmide alimentar), sem promover prejuízos importantes nos níveis de colesterol e outros elementos do sangue, como se temia. O maior obstáculo à dieta de Atkins é que a mesma necessita de acompanhamento contínuo e os carboidratos devem ser excluídos dificultando seu emprego por tempo prolongado.
Outro cardiologista norte-americano, Arthur Agatston, resolveu ocupar o vácuo do filão editorial deixado pela morte de Atkins. Sua dieta (The South Beach Diet, ed. Rodale, Inc., PA, EUA, 2003), ainda não validada por meio de publicações científicas, propõe modificações superficiais no padrão hiperprotéico e o torna politicamente mais acertado, ao excluir excessos de alimentos gordurosos que atiçaram a ira dos opositores de Atkins. A Dieta de South Beach pode contribuir para o emagrecimento porém não demonstrou nenhum beneficio adicional à saúde. Pelo contrário, ao excluir o consumo de frutas em sua primeira fase, pode trazer prejuízos ao estado metabólico do organismo.
A Dieta DASH, muito utilizada por cardiologistas do mundo inteiro, é baseada no baixo consumo de sal e gorduras. Demonstrou, realmente, contribuir para reduzir a pressão de hipertensos. O baixo consumo de sal pode ser, perfeitamente incorporado á dieta dos 5 ou Mais Vegetais.
A Dieta do Mediterrâneo parece ser um dos padrões alimentares mais saudáveis do mundo. Baseada na alimentação dos povos daquela região e principalmente na da ilha de Creta, essa dieta privilegia peixes (em lugar de carnes), azeite (não aquecido), muitos vegetais e frutas, algum consumo de vinho, pouca gordura de origem animal, pães e massas integrais e grande quantidade de fibras. Muitos dos conceitos da "5 ou Mais Vegetais" foram adequados da dieta do Mediterrâneo. Uma das críticas á difusão desta dieta é que muitos dos alimentos oriundos daquela região são inacessíveis em outras localidades.
A dieta do tipo sanguíneo é fruto de uma pesquisa que tentou determinar a origem dos povos baseada em seus tipos de sangue. Assim, pôde ser observado que africanos têm um tipo predominante de sangue, enquanto índios têm outro tipo e brancos outros tipos. O autor tenta encontrar um tipo de alimentação baseada naquilo que os ancestrais desses povos consumiam. Tendo em vista a grande miscigenação dos povos e a complexidade das influências genéticas de cada indivíduo, os cientistas acreditam ser simplista e sem sustentação lógica a individualização dietética baseada apenas no tipo de sangue.
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